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Orlando Corrêa Lopes: A Gestão De Um Anarquista Na Escola Profissional Visconde De Mauá (1916-1927)

Esta dissertação tem por objetivo pesquisar a origem e institucionalização da Escola Profissional Visconde de Mauá no Distrito Federal, durante a Primeira República, na gestão do anarquista Orlando Corrêa Lopes, entre 1916 e 1927. A escola tem sua origem relacionada à construção da Vila Proletária Marechal Hermes, pela qual se fez necessária breve abordagem deste episódio sobre a moradia operária na cidade do Rio de Janeiro. A temática foi analisada com a perspectiva do materialismo histórico-dialético, articulando a história da instituição escolar à compreensão da realidade histórica, com ênfase sobre a situação no mundo do trabalho. Ao situar a escola em seu tempo e espaço histórico, traçamos um panorama sobre a administração da instrução pública pela prefeitura do Distrito Federal, durante o período de sua inauguração. Para isso, foram usadas como fontes: o censo de 1920, os orçamentos da prefeitura e a legislação vigente. Nesta primeira década, destacou-se Orlando Corrêa Lopes, reconhecido intelectual anarquista e diretor da escola desde sua inauguração, em 1916, até 1927, ano de sua morte. Dr. Orlando tornou-se anarquista no Rio de Janeiro e esteve à frente do diário A Época, da revista anarquista A Vida e do jornal Na Barricada. Na ausência de fontes que possibilitem escrever um estudo biográfico sobre ele, sua escrita jornalística foi o principal caminho para conhecermos suas ideias e personalidade, como também identificar, na sua gestão, a presença de traços do pensamento anarquista. Para compreender a institucionalização da escola através das ações de seus sujeitos, partimos do conceito de fazer-se desenvolvido por E. P. Thompson. Procuramos demonstrar a importância da participação dos seus sujeitos no fazer-se da escola. Partindo dos conceitos de intelectual orgânico e hegemonia de Gramsci, refletimos sobre o papel de Dr. Orlando como intelectual orgânico da classe trabalhadora, na defesa e propaganda de uma escola que não se limitava a atender interesses do Capital, restringindo o currículo escolar à simples especialização de um ofício. Trouxemos para este diálogo, ideias da pedagogia libertária, como politecnia e educação integral e de que forma foram introduzidas numa escola oficial, burlando a legislação em vigor, sem que despertasse algum tipo de perseguição por parte da Prefeitura do Distrito Federal, numa demonstração de ação contra-hegemônica, bem sucedida. O estudo se baseia, principalmente nos periódicos digitalizados e disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, além de fontes bibliográficas, boletins do Distrito Federal, livros de ofícios da Diretoria de Instrução Pública e do Almoxarifado Central, o primeiro livro de matrículas, além de fotografias e documentos do Acervo do Centro de Memória da ETEVM.

PDF document icon Dissertação PPGEdu - Isabella Paula Gaze.pdf — Documento PDF, 3.96 MB (4151237 bytes)

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