O MST e seus discursos educacionais: em torno de uma concepção de educação integral
O estudo tem, como tema, Educação e Movimentos Sociais. Nele, objetivamos analisar os discursos sobre educação do Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra – MST, a partir de seus materiais educacionais impressos. A pesquisa partiu de nosso interesse em investigar como o Movimento entende a educação voltada para formação completa ou integral, concepção defendida também por teóricos socialistas, e que estão presentes no pensamento e material do MST. Utilizando, como metodologia, a Análise Crítica do Discurso (ACD) de linha inglesa, que tem em Fairclough seu principal expoente, buscamos fundamentação para as análises realizadas, detendo-nos mais especificamente nas categorias da intertextualidade, ideologia, hegemonia, gramática, vocabulário e coerência. Como resultado, visamos demonstrar a concepção de educação integral, de cunho socialista, presente na estrutura educacional do MST. A educação realizada pelo MST pode ser vista como prática social, ou seja, se no início somente a luta pela reforma agrária era
considerada como uma questão social, mais tarde a educação também passou a integrar essa lista, implicando uma conquista dos direitos sociais que compõem uma sociedade democrática. È neste ponto, principalmente, que a educação do MST se encontra com a metodologia de Fairclough, ou seja, para a educação ser integral, completa, ela necessita estar vinculada a outras práticas como o trabalho, a política, a cultura e a conscientização entre outras, buscando a transformação social e o entendimento do ser humano como um Ser Mais. Por acreditar que a ACD tem um papel bastante posicionado, que é fazer com que suas abordagens críticas, advindas dos estudos lingüístico-discursivos de textos mpressos assumam um caráter e objetivo vinculado a problemas sociais e ao desvelamento de sentidos ideológicos, mediante possível ruptura da estrutura de dominação, é que a utilizamos no estudo.