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Sobre o Curso

 

Em outubro de 2015 o curso de Estética e Teoria do Teatro recebeu visita in loco da comissão avaliadora do INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, tendo recebido a nota máxima (5) na avaliação.


O Curso de Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro origina-se da Habilitação em Teoria do Teatro do antigo Curso de Bacharelado em Artes Cênicas da Escola de Teatro da UNIRIO.

O Curso tem como meta principal a formação intelectual, teórica, artística e humanística de futuros pesquisadores, estudiosos, criadores e pensadores de teatro, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, interartística e experimental que possibilite a pratica de uma reflexão critica, historiográfica e estética sobre o teatro e suas relações e tensões com outras formas de manifestação artística, com outros campos de conhecimento e com a própria hora histórica. No contexto atual da produção cênica e dramatúrgica do teatro brasileiro verifica-se uma insuficiência de espaços e de iniciativas voltados para a valorização e viabilização do exercício da crítica e de uma reflexão estético-teatral continuada, fatores fundamentais para uma produção artística e cultural consistente e relevante.

Ao longo dos séculos XX e XXI, as concepções de dramaturgia, de espetáculo, de performance, de atuação, de espaço cênico vêm sendo intensamente problematizadas e redefinidas, fazendo com que a própria noção de teatro esteja permanentemente em questão, assim como suas fronteiras com relação às outras artes. É neste sentido que o Curso de Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro investe exatamente na formação de um pensamento critico e artístico capaz de compreender e de exercer a atividade e a pesquisa teatral em suas relações com outros campos disciplinares, com outras práticas e teorias artísticas.

A diversidade do quadro teórico atual, no campo das Ciências Humanas, impõe, para um pesquisador em Artes Cênicas, a necessidade de mostrar-se apto a exercitar um diálogo acadêmico rigoroso, inventivo e interdisciplinar com campos vizinhos de saber e de, ao mesmo tempo, esforçar-se por renovar metodologicamente os estudos teatrais por meio não apenas do aprofundamento e do amadurecimento no próprio campo de trabalho, mas também de uma investigação capaz de contrastar e relacionar saberes e contribuições que sejam oriundos de diferentes territórios cognitivos. É necessário, ainda, se temos em mente os processos atuais de pesquisa e de avaliação crítica e o panorama artístico moderno e contemporâneo, levar em conta questões como a da dissolução crítica de gêneros discursivos e fronteiras, das inovações técnicas e do seu papel preponderante sobre as formas de criação, do diálogo interartístico e intermidiático que vêm marcando as realizações no campo do teatro, da literatura e das artes em geral.

Nesse sentido, os três eixos - 1.Crítico-Conceitual2.Cênico-Dramatúrgico e3.Memória/História/Arquivo - que servem de base para a estruturação do Curso de Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro têm, em comum, tanto a busca de aprofundamento e ampliação da pesquisa, do estudo e da experimentação em Artes Cênicas e Teoria do Teatro, quanto a associação deste trabalho a um diálogo crítico e vigoroso com o campo da Estética e das Humanidades em toda a sua extensão e com formas diversas de exercício crítico e artístico.  E mesmo em seu interior, cada um desses eixos foi pensado tendo em vista uma dobra reflexiva, funcionando como estruturas pautadas pelo diálogo entre investigação conceitual e diferentes formas de exercício crítico, entre práticas cênicas diversas e formas igualmente múltiplas de compreensão da escrita dramatúrgica, entre perspectivas historiográficas e práticas artístico-conceituais do arquivo com ênfases distintas.

ESTRUTURA CURRICULAR

A estrutura do Curso está em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Teatro e com o Plano de Desenvolvimento Institucional 2012-2016 da UNIRIO, no que diz respeito às importantes orientações desses documentos sobre a integração entre graduação e pós-graduação e entre teoria e prática, sobre a valorização da pesquisa interdisciplinar, das atividades complementares e das atividades de extensão e iniciação científica.

A integração entre graduação e pós-graduação será efetuada por meio da criação de grupos de pesquisa e da organização de debates e palestras, que possam reunir, seja durante as aulas, seja em eventos específicos, alunos-pesquisadores de ambos os níveis acadêmicos.

Já a integração entre teoria e prática está presente nos próprios pressupostos, princípios e fundamentos deste bacharelado que, como já dito em outros itens deste projeto, entende a reflexão teórica como uma prática, como um exercício a ser desenvolvido e aprimorado, e entende a criação artística como inevitavelmente vinculada a um pensamento critico e especulativo. Neste sentido, a articulação entre teoria e prática está presente em todas as disciplinas e atividades previstas na estrutura curricular do curso, pois está atrelada à própria concepção de estudo do teatro e das artes proposto neste curso. Há, entretanto, um conjunto de cinco disciplinas de caráter teórico-prático que evidenciam ainda mais essa articulação. Embora sejam oferecidas como optativas, tais disciplinas possuem papel fundamental na formação do aluno, na medida em que  integram os eixos estruturadores da matriz curricular. Compõem este conjunto as Práticas cênico-performativas, as Práticas dramatúrgicas, as Práticas artístico-conceituais do arquivo, as Práticas teórico-conceituais e as Práticas crítico-editoriais. Ao cumprirem seus créditos em disciplinas optativas, os alunos deverão cursar no mínimo duas dessas Práticas (180 horas), escolhidas mediante orientação acadêmica, em conformidade com seus interesses intelectuais e profissionais.

O currículo do Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro é estruturado a partir de um elenco de disciplinas obrigatórias, disciplinas optativas e atividades complementares. As atividades curriculares perfazem o total de 2.700 horas, sendo 2.070h distribuídas em disciplinas obrigatórias, 480h em disciplinas optativas, sendo que 180h em disciplinas optativas de caráter prático-teórico oferecidas pelo Curso de Bacharelado em Estética e Teoria do Teatro, e um mínimo de 150h em atividades complementares.

A estrutura curricular foi planejada com o intuito de abrir um leque de possibilidades, de modo que o discente, ao cursar as diversas disciplinas de caráter obrigatório, as optativas e ao realizar atividades complementares, atividades de extensão, experiências de iniciação científica, de iniciação artística e Trabalho de Conclusão de Curso, tenha a oportunidade — ainda que dentro dos limites de uma graduação específica — de reconhecer caminhos distintos de formação e percorrer aquele que se mostrar mais condizente com seus próprios projetos e objetivos acadêmicos. Trata-se, com isso, de privilegiar e incentivar a capacidade de autoaprendizagem contínua do aluno.

A Reforma Curricular, finalizada em 2012, que deu origem ao curso de Bacharelado em Estética e Teoria do Tratro, reafirma o esforço de reavaliação constante da estrutura disciplinar e de aprofundamento e ampliação de campos e práticas de estudo pertinentes à formação oferecida por este Curso. Foram então estabelecidos três eixos fundamentais de formação, a saber:

1. Eixo Cênico-Dramatúrgico, que envolve estudos sobre o espetáculo, a teatralidade, a performance, a atuação, o texto e a recepção teatrais, ao lado de investigações cênico-performativas e dramatúrgicas;

2. Eixo Memória / História / Arquivo, que envolve a discussão de perspectivas historiográficas, estudos históricos sobre arte e teatro, e práticas diversas de arquivo, entendendo aqui a noção de arquivo não no sentido de uma formação profissional no âmbito da arquivologia, da museologia ou da biblioteconomia. A partir das reflexões de Michel Foucault, a noção de arquivo é aqui tratada como um sistema de formação e transformação dos discursos, que pode adquirir formas diversas nas manifestações artísticas e na cultura histórica, tais como: o inventário, o atlas, a coleção, a série, a instalação. Podendo-se incluir aí também o trabalho de criação e digitalização de acervos sonoros, visuais e textuais, que devem ser passíveis de amplo acesso na “home page” a ser criada para o Curso;

3. Eixo Crítico-Conceitual, que envolve estudos de estética, de crítica, da imagem, das relações e diferenças entre processos de composição, notação e registro, e entre campos artísticos, disciplinares, culturais, ao lado de práticas crítico-editoriais e investigações conceituais. Eixos que, enquanto campos de interação, buscam trabalhar sob a forma de dobra mutuamente crítica e suplementar a inflexão conceitual e a prática teórica e artística, o estudo rigoroso do repertório cultural e o risco constante de submetê-lo a reavaliações e à experimentação.